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05/12/2018

Jovem Xavante cria canal no YouTube para combater preconceito

Desde a infância, Cristian ouve comentários preconceituosos sobre a sua origem. Para desmistificar o assunto, o jovem xavante, com ascendência guarani, criou, há pouco mais de um ano, o canal "Wariu", no qual trata sobre temas relacionados à cultura indígena.

"Há muito tempo, percebo que as pessoas que não fazem parte da nossa cultura têm certo preconceito com os povos indígenas. Quando eu explicava melhor sobre o assunto, elas passavam a nos respeitar mais. Enxerguei o YouTube como uma oportunidade para alcançar mais pessoas e explicar a elas sobre a nossa cultura", diz à BBC News Brasil.

O primeiro vídeo foi publicado em agosto de 2017. Nele, o jovem indígena fala sobre algumas das dúvidas que mais costuma ouvir sobre a sua cultura. "Não aguento mais me perguntarem se ando pelado em casa ou na aldeia", confessa no início do vídeo. Pouco depois, Cristian, que passou a vida morando na cidade e indo com frequência à aldeia, esclarece. "Não, não ando pelado em casa. É muito constrangedor. Mas, na aldeia, vai depender da etnia, porque índio não é um povo só", afirma.

Em seguida, ele ressalta que os indígenas são divididos por etnias, que possuem diferentes culturas. "Há etnias que andam peladas, mas não estão totalmente nuas, sempre há alguma coisinha para cobrir. Há outras que ficam nuas em momentos especiais, como em rituais, mas normalmente usam roupas", declara.

Os vídeos de Cristian são publicados uma ou duas vezes por mês. Ele já abordou temas como os significados de pinturas indígenas, mostrou rituais xavantes e falou sobre algumas das etnias que existem no Brasil. Até o momento, em seu canal há 17 publicações, que totalizam mais de 34 mil visualizações.

A indigenista Maíra Taquiguthi Ribeiro, que atua na Coordenação Regional Xavante da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Barra do Garças (MT), ressalta que os vídeos publicados por Cristian ajudam no combate ao preconceito contra povos indígenas.

"Um vídeo produzido por um jovem indígena, de forma simples, em uma linguagem informal e com informações sobre os povos, tendo suas experiências pessoais como uma das fontes, traz mais proximidade e empatia com o público. As pessoas que assistem entendem melhor a mensagem e conseguem compreender o indígena enquanto pessoa, e não como uma figura folclórica, descolada da realidade", explica à BBC News Brasil.

"Conhecer a realidade dos povos e entender a forma como vivem reforça a legitimidade dos seus direitos à terra, à autodeterminação e à sua especificidade. Provavelmente, daí venha a incompreensão da sociedade não indígena a respeito das questões indígenas: da defasagem dos instrumentos de construção desse conhecimento", acrescenta.




Esta notícia foi publicada no site bbc.com/ em 03/12/2018. Todas as informações nela contidas são de responsabilidade dos autores.
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